quarta-feira, abril 05, 2006

NÃO HÁ GUERRAS SEM MORTOS

Leitor assíduo e participativo como você, leitora amiga, acredito que, apenas, mais um. Assina-se Timoneiro e suspeito que seja velho companheiro dos botecos do Leblon desde os tempos em que me era dado o direito de freqüentá-los [por o permitirem a saúde e o bolso ainda não "beneficiado" pelo INSS]. Fervor quase sem limites pelas causas que defendia, umas e outras vezes desmentidas pelo tempo, corajoso ao trocá-las por outras que o bom senso recomendava aceitar - no mínimo repensá-las - desde os tempos em que, por elas, mantinha verdadeira ojeriza, nosso Timoneiro, ontem, desancou o pau no Duque de Caxias, Padroeiro do Exército.
Transcrevo seu texto, evidentemente em desacordo com o que concerne a Caxias na Ordem do Dia de 31 de março último divulgada pelo Comandante do Exército:
"Discordo, em princípio e por princípios, da menção a Caxias. Não concordo com o massacre do Paraguai. Acabaram com uma grande nação para atender a interesses estrangeiros. Isso precisa ser melhor explicado pelos nossos livros de história. Devemos parar de cultuar falsos heróis."
Sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que não se começava a estudar Aritmética, nos primeiríssimos anos de escola, com a Teoria dos Conjuntos [e que, ao que tudo indica, já passou]; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que as ilustrações dos livros eram fundamentais à sua compreensão e não para, simplesmente, ilustrá-los; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que o pai do alunos não se dirigia à Diretoria das escolas para pedir o afastamento do professor que repreendera seu filho no correr de uma aula; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que os professores conheciam e ensinavam as matérias e eram não simples "comunicadores" pedagógicos; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que a "cola" não era entendida como "manifestação underground" a ser "repensada a nível do contexto social no qual se insere o aluno" [era prova recolhida e nota zero imediatamente registrada na pauta]; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que se aprendia análise léxica e sintática em "Os Lusíadas" e não em textos de músicas de "Claudinho e Bochecha"; sou do tempo, e o general Albuquerque também, em que se estudava com professores que não faziam greve; sou do tempo , e o general Albuquerque também, em que, para se entrar no antigo ginásio dos melhores colégios, os alunos eram submetidos a provas escritas e orais e eram questionados por figuras da grandeza de José Oiticicica, Cecil Thiré, Manoel Cavalcanti Proença, Alcides da Fonseca, Carlos Torres Pastorino e outros tantos que, depois, passavam a ser nossos professores.
Meu amigo Timoneiro é mais novo que eu e que o general Albuquerque. Bebeu, certamente, em outras fontes - que não sei quais foram mas imagino - para odiar tanto a campanha do Paraguai [massacre do Paraguai como ele a trata] e seu condutor, Caxias.
Espero do fundo do coração que não considere o ditador Fidel um herói; que não trate Hitler como um grande estrategista; que não veja um grande guerreiro na imagem atraente de Che Guevara,o guerrilheiro amigo de Fidel, médico malsucedido nascido na Argentina e cujo nome quase esqueço, tão importante foi para que o homem vivesse melhor neste planeta.
Saiba o Timoneiro que nas guerras sempre morrem pessoas, muitas pessoas. Talvez menos que as enterradas em enterros que não vemos e dos quais não participamos [e que, talvez, nem sejam feitos]- vítimas do tráfico, da ignorância e da fome que se espalham mundo afora.

Viver na terra, em alguns países em especial, é muito difícil. Bebamos em boas fontes para que seja menos.