sexta-feira, março 06, 2009

DA EXCOMUNHÃO ÀS ELEIÇÕES DE 2010

Síntese, abaixo, da revoltada mensagem recebida de meu amigo desde 1950, ano em que começamos nossos estudos no ginásio. Aposentou-se, faz pouco tempo, como Professor-Doutor em Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

"Pois é amigo. Enquanto isso o arcebispo de PE excomunga médicos, simpatizantes e os que apoiaram o 'aborto medicamentoso' da menina de 9 anos estuprada pelo padastro... Não há notícias de que o estuprador tenha sido excomungado. Aonde vai este mundo...?"

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Transcrevo a matéria publicada ontem pelo Estado de S.Paulo em que se expõe as posições dos ministros da Saúde e do Meio Ambiente relativamente à questão. Também as razões que levaram o bispo de Olinda e Recife a tomar a atitude que tomou.

Talvez sirva, para alguns, como um norte para compreensão da atitude daquela autoridade da Igreja. Não para mim nem para você, meu amigo, tenho certeza. 


"Igreja excomunga envolvidos em aborto de menina estuprada

Os envolvidos no processo de aborto de uma menina de 9 anos que foi estuprada foram excomungados pelo arcebispo de Olinda e de Recife, d. José Cardoso Sobrinho. De acordo com a polícia, o padrasto da criança já confessou que abusava da garota. A decisão da Igreja foi criticada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. 

O arcebispo condenou os responsáveis pelo aborto e disse ao Jornal Hoje que 'o fim não justifica os meios. Esse é o princípio , a doutrina moral da Igreja. Os adultos, quem aprovou e quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão.'

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Para o ministro, a decisão foi 'radical' e 'inadequada'. 'A lei brasileira é muito clara: a interrupção da gravidez é autorizada em caso de estupro ou em caso de risco de vida da gestante. O resto, é opinião da Igreja. Trata-se de uma criança e, do ponto de vista biológico, não acredito que ela tivesse condições de levar a termo essa gestação de gêmeos', disse, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro. 'Estou impactado', afirmou.

A menina estava grávida de gêmeos e, de acordo com médicos, se a gravidez fosse levada adiante, ela correria risco de vida. Na terça à noite, a menina foi internada e recebeu medicamentos para interromper a gravidez. Ao justificar sua decisão, dom José Cardoso Sobrinho disse que, aos olhos da Igreja, o aborto é crime e que a lei dos homens não está acima das leis de Deus.

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Para Temporão, o ato de excomungar os envolvidos no aborto é um contra-senso diante do que aconteceu à criança, vítima de estupro pelo padrasto. 'Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante.' 

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava ao lado de Temporão quando ele se pronunciou também fez seu comentário: 'Quero falar como cidadão: estou muito revoltado. Essa menina foi violentada, já teve um trauma grande. A Igreja, em vez de ajudar, criou uma questão a mais.' E em seguida, completou: 'É a criminalização da vítima.'"

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O quê pensaria a ministra-candidata Dilma a respeito da atitude do arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho, enquanto assistia ontem [quinta-feira, 05/03], contrita, à missa - da cura e libertação - dirigida pelo padre Marcelo Rossi, no Santuário do Terço Bizantino, na zona sul de São Paulo?

Pensaria, acaso, na situação da pobre e, agora, excomungada mãe da menina? Ou nas eleições de 2010?
Sei lá...