quinta-feira, março 19, 2009

A DOR DO POETA, DO SAMBISTA E DO BRASILEIRO DESENCANTADO

Comportei-me nesses últimos dias como meu amigo nonagenário  se comporta sempre que imagina estar sendo procurado pela Megera da Foice: escondí-me por trás das receitas, das consultas médicas, dos travesseiros e de tudo mais que me pudesse lembrar das dores que, de fato, sentia ou imaginava sentir [com a licença de Fernando Pessoa...] e deixei, como Zeca Pagodinho, a vida me levar.

Mas, amiga, mais que das dores, escondia-me da vergonha de viver - ou imaginar ainda viver - num país de cegos, mudos e desmemoriados como esse em que vivemos [onde as pessoas não conseguem ver as consequências maléficas para o país se aprovada a demarcação que se pretende para a Reserva Raposa/Serra do Sol; ou dela - demarcação -, ao menos , falar; e, menos ainda, dentro de pouco tempo, com certeza, lembrar]

X X X

Não tenho a coragem de pedir, como meu amigo passado dos noventa, que a Megera da Foice me leve. 
Mas entendo hoje, melhor que nunca, o porquê de sua desesperança.
Para não dizer que só citei espinhos, clique aqui.