quarta-feira, março 25, 2009

HÁ ALGUMA COISA CHEIRANDO BEM DEMAIS NAS HOSTES ALIADAS


Investigada por supostos crimes de remessa ilegal de dólares, doações ilegais para partidos políticos e superfaturamento de obras públicas, a empreiteira Camargo Corrêa - uma das líderes na área da prestação de serviços públicos do país - foi objeto, ontem, da Operação Castelo de Areia, realizada pela Polícia Federal.

A sede da empresa, na Vila Olímpia [zona sul de São Paulo], foi vasculhada por cerca de 10 horas numa operação em que foram recolhidos documentos, computadores e um cofre.

Foram presos quatro diretores e duas secretárias da firma, além de três supostos doleiros e um suspeito de ser o articulador das remessas ilegais para o exterior.

Para alívio de inúmeros amigos nossos as autoridades responsáveis pelas buscas divulgaram os nomes dos detidos que mantinham vínculos profissionais com a empreiteira. São eles: Pietro Francesco Giavina Bianchi, Fernando Dias Gomes, Dárcio Brunato e Raggi Badra Neto [diretores]; Darcy Flores Alvarenga e Marisa Berti Iaquinto [secretárias]. 
Nenhum, felizmente, de nossas relações.

Consta que, na casa de um dos diretores, foi encontrada lista com os nomes de políticos e funcionários públicos que teriam recebido valores da Camargo Corrêa, além de referências ao Tribunal de Contas da União [objeto de constrangimento para alguns membros daquele órgão que acompanhavam as buscas e prisões.]

Foram  indícios de superfaturamento de obras públicas - cita-se na investigação a Refinaria Abreu de Lima, também conhecida como Refinaria do Nordeste [em que o TCU constatou possível superfaturamento da ordem de R$ 72 milhões em consórcio do qual fazia parte a Camargo Corrêa]  - que levaram à montagem da Operação.

O relatório da PF cita o PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT e PP. 
Estranhamente, para parlamentares importantes ligados ao PT, este partido não é citado nas investigações.

X X X

A propósito, distanciada leitora, tome conhecimento do que diz a nota da jornalista Renata Lo Prete, publicada na Folha de S.Paulo de hoje [26/03, quarta-feira]:

"Embora as primeiras notícias da Operação Castelo de Areia atinjam os partidos de oposição, gente graúda no PT estava ontem com as barbas de molho.

Ainda no escuro quanto à origem, o alcance e os bastidores da mais nova iniciativa da Polícia Federal, petistas familiarizados com a composição do caixa das campanhas do partido avaliam que, se o nome é Camargo Corrêa, cedo ou tarde entrarão na roda, pois seus candidatos costumam ser tratados pela construtora da hidrelétrica de Jirau no mínimo com a mesma generosidade dispensada aos adversários." 

O título da matéria é: Telhado de Vidro.