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"MST QUER MESMO É O CONFRONTO. QUEM VIVER, VERÁ
Em nota divulgada ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, quinta-feira, 09 - em que trata dos atos de vandalismo ocorridos na sede da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS) -, diz o ministro Miguel Rossetto: 'Condeno e lamento os fatos [...] na empresa Aracruz [...] As imagens a que o país assistiu mostram cenas de inaceitável violência e ferem a consciência democrática de todos os brasileiros [...] É inaceitável substituir o argumento pela destruição violenta e a troca de idéias pela intolerância [...] Atos como este devem ter suas conseqüências tratadas com rigor no âmbito do Poder Judiciário. A luta pela reforma agrária no Brasil nada tem a ver com ações desta natureza e não deve ser confundida com atos isolados.'
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Enquanto isso, João Pedro Stedile, líder do MST-Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, saiu em defesa das ações levadas a cabo por seus liderados [de todas as designações] nos últimos dias. Afirma ele que a monocultura de eucalipto gera um deserto verde, em benefício, apenas, das multinacionais: 'Os governos são puxa-sacos das multinacionais. O que é incrível é um governo de esquerda também ser.'
Ainda sobre a mesma questão e respondendo ao governador em exercício do Rio Grande do Sul, Antonio Hohldfeldt - que anunciou a eliminação da Via Campesina de qualquer tratativa envolvendo órgãos da administração estadual e classificou as agricultoras que invadiram Aracruz como massa de manobra dos líderes - disse Stedile, exaltando-as: 'As companheiras estão de parabéns pois tiveram coragem de fazer um ato para chamar a atenção da sociedade'.
Jaime Amorim, por outro lado, também lider do MST, aprovou a depredação, quarta-feira última, 08, do laboratório da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, por integrantes da Via Campesina. Afirmou ele quando perguntado a respeito da ação violenta levada a efeito no momento da ocupação: 'Não estamos preocupados com a nossa imagem'. Quanto às lágrimas derramadas por uma pesquisadora, transmitidas por rede nacional de televisão ao ver o resultado do vandalismo que destruiu anos e anos de trabalho, afirmou ele: 'Se fosse uma pesquisadora séria, não teria se vendido às multinacionais [...] Ela representa um tipo de venda de soberania.'
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Por não mais temer o confronto com as autoridades responsáveis do país, lentas demais, quase sempre, em defesa da propriedade pública e privada - e sem qualquer preocupação com sua imagem, que a cada dia fica mais desgastada, conforme detalhado em pesquisas recentes do Ibope - é que os sem-terra continuam com suas ações irresponsáveis.
Vejam os jornais, os noticiários da televisão e das estações de rádio; depois digam se estou certo ou não."
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Publica o Estado de S.Paulo de hoje, 10 de março de 2009, terça-feira, exatos três anos após a postagem neste blog da matéria acima [MST QUER MESMO É...]:
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"AÇÃO REÚNE PELO MENOS 6,5 MIL ATIVISTAS
Em ação que surpreendeu o Ministério da Agricultura, seguranças e a Polícia Militar, centenas de mulheres sem-terra ligadas à Via Campesina ocuparam ontem o andar térreo da pasta, em Brasília. Elas aproveitaram o Dia Internacional da Mulher, comemorado na véspera, para mobilização em vários Estados, disse Itelvina Masioli, coordenadora nacional da Via Campesina. De fato, o balanço mostra que pelo menos 6,5 mil sem-terra participaram de ações ontem em 8 Estados e no Distrito Federal.
O protesto em Brasília foi contra a falta de recursos para a safra da agricultura familiar, o modelo de exportação de commodities agrícolas e para denunciar a lentidão na reforma agrária. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, cujo prédio fica a poucos metros do local invadido, não foi importunado.
Vindas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Minas e do entorno do Distrito Federal, as manifestantes chegaram em ônibus por volta das 7h30. Segundo a Via Campesina, 600 mulheres e crianças participaram da ofensiva em Brasília. A Polícia Militar estima em 400 o número de manifestantes.
Na confusão, um segurança saiu levemente ferido e duas portas de vidro foram quebradas. O ministro Reinhold Stephanes amenizou o episódio. 'O movimento chegou, mostrou suas reivindicações e não interrompeu as atividades do ministério', avaliou Stephanes.
PONTAL
Cerca de 200 mulheres ocuparam ontem a frente do escritório regional do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. A ação foi liderada por Deolinda Alves de Souza, mulher do líder dissidente do MST José Rainha Júnior.
Foi entregue um manifesto pedindo a transferência do comando da reforma agrária no Estado para o Incra. 'O Itesp deve continuar dando assistência técnica aos assentamentos, mas a arrecadação de terras deve ser feita pelo Incra, pois é de lá que sai o dinheiro', disse Deolinda.
Em Alagoas, 1,5 mil sem-terra ocuparam a fazenda Campo Verde, do ex-deputado João Lyra (PTB). Eles reivindicam a desapropriação da fazenda, no município de Branquinha, para fins da reforma agrária. Os sem-terra disseram que vão substituir a cultura da cana-de-açúcar pelo plantio de feijão e milho.
DETENÇÃO
Um integrante da direção do MST em Pernambuco, Charles Afonso de Souza, foi detido durante manifestação de mulheres na Usina Cruangi, no município de Aliança. Ele teria agredido o comandante da operação. Levado à delegacia, foi autuado por desacato e liberado em seguida. Segundo a PM, cerca de 60 mulheres participaram da manifestação.
No Paraná, 1,2 mil mulheres participaram de manifestações em Porecatu. De acordo com a PM, o protesto foi pacífico, sem incidentes."
Vindas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Minas e do entorno do Distrito Federal, as manifestantes chegaram em ônibus por volta das 7h30. Segundo a Via Campesina, 600 mulheres e crianças participaram da ofensiva em Brasília. A Polícia Militar estima em 400 o número de manifestantes.
Na confusão, um segurança saiu levemente ferido e duas portas de vidro foram quebradas. O ministro Reinhold Stephanes amenizou o episódio. 'O movimento chegou, mostrou suas reivindicações e não interrompeu as atividades do ministério', avaliou Stephanes.
PONTAL
Cerca de 200 mulheres ocuparam ontem a frente do escritório regional do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. A ação foi liderada por Deolinda Alves de Souza, mulher do líder dissidente do MST José Rainha Júnior.
Foi entregue um manifesto pedindo a transferência do comando da reforma agrária no Estado para o Incra. 'O Itesp deve continuar dando assistência técnica aos assentamentos, mas a arrecadação de terras deve ser feita pelo Incra, pois é de lá que sai o dinheiro', disse Deolinda.
Em Alagoas, 1,5 mil sem-terra ocuparam a fazenda Campo Verde, do ex-deputado João Lyra (PTB). Eles reivindicam a desapropriação da fazenda, no município de Branquinha, para fins da reforma agrária. Os sem-terra disseram que vão substituir a cultura da cana-de-açúcar pelo plantio de feijão e milho.
DETENÇÃO
Um integrante da direção do MST em Pernambuco, Charles Afonso de Souza, foi detido durante manifestação de mulheres na Usina Cruangi, no município de Aliança. Ele teria agredido o comandante da operação. Levado à delegacia, foi autuado por desacato e liberado em seguida. Segundo a PM, cerca de 60 mulheres participaram da manifestação.
No Paraná, 1,2 mil mulheres participaram de manifestações em Porecatu. De acordo com a PM, o protesto foi pacífico, sem incidentes."
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(*) Atente, prezada leitora, na Galeria de Fotos, para o visual ultramoderno das invasoras [vai virar moda, não tenho dúvidas]. Aproveite e veja maiores detalhes das operações desenvolvidas pelas mulheres da Via Campesina nas comemorações do Dia Internacional da Mulher.
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Aguardemos as severas providências a serem tomadas pelas autoridades, ditas responsáveis. Quem sabe no próximo triênio? Ou, melhor, quando começarem a ser abatidas em combate, como invasoras-mártires de propriedades improdutivas, algumas dessas desordeiras.
É uma questão de tempo, amiga. Enquanto isso a Via Campesina vai ganhando tempo e caminhando, impune, para a glória. Vai se transformar, não demora muito, em filme premiado no Festival de Gramado. É só morrer uma das crianças que elas usam como escudo.