Anda mal a chamada base política do governo.
Ontem, competindo com a petista Ideli Salvatti (SC), o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) recebeu 13 votos de seus pares, contra 10 da senadora catarinense, e foi eleito presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado.
Ressaltou as qualidades do ex-presidente para o exercício das novas funções, por sua "experiência", o ministro petebista José Múcio (Relações Institucionais). Esqueceu-se S.Excia., é de supor, do racha que se implantou nas hostes do presidente de Honra do PT.
Detalhe relevante na escolha de Collor: o cabo eleitoral do ex-presidente foi seu conterrâneo, senador peemedebista Renan Calheiros.
XXX
Lembremos de 2007, amiga.
Mandato à beira do precipício, Renan Calheiros [e o povo brasileiro] viu duas das mais importantes figuras do partido do presidente, em exercício no Senado da Repúblca - a catarinense Ideli Salvatti e o paulista Aloísio Mercadante -, lutando incansavelmente para livrar das enrascadas de que era acusado o senador alogoano.
Foi enorme o talento do senadores petistas [contrariando, à época, grande parte da opinião pública] para conseguir, com seus pronunciamentos e entrevistas, levar a cabo a missão que se impuseram...ou lhes foi imposta: garantir o mandato de Renan Calheiros.
Contaram eles, não se pode negar, com a curta memória do povo brasileiro - que esquece os candidatos a deputados e senadores em que votaram nas últimas eleições e, pior que isso, os defenestrados nos três últimos paredões da corrente versão do Big Brother.
Deu-se bem o senador das Alagoas.
Problemas para se explicar com o eleitorado, mas logo esquecidos, dos que o defenderam.
Pouquissimo, ou quase nada, de Renan, se falou.
Vida que passa...
X X X
Num mesmo momento da história de Brasília dois acontecimentos fazem balançar o Senado: a eleição do senhor Collor para a presidência da Comissão de Infraestrutura, comandada pelo senador Renan, seu conterrâneo, e a despedida do senhor Agaciel Maia, ex-diretor da Casa - onde entrou, por concurso, como datilógrafo -, aplaudido por servidores que pediam para continuar no cargo, de onde se afastou por ser acusado de ocultar de seu patrimônio uma mansão de R$ 5 milhões.
Da escolha do ex-presidente Collor não há muito mais o que falar: são coisas da política que os senhores Sarney e Renan sabem tão bem manobrar.
Quanto à saída do ex-Diretor do Senado até mesmo as pequenas aves que passam voando por sobre as belas mansões do Lago Sul estão cansadas de saber que a propriedade do senhor Agaciel não tem muito mais nem menos que as de seus vizinhos. Sobretudo no que diz respeito, acreditam muitos brasilienses de bom nome, a suas situações junto à Receita.
É, minha gente, anda mesmo mal a chamada base política do governo.
Ou o Agaciel não lhe vai fazer falta?