"Ão, ão, ão, queremos reeleição!" e
"Brasil para frente, Lula presidente".
Com essas palavras de ordem as 6.000 [para alguns] ou 10.000 [para outros] pessoas que compareceram hoje, 20/01/06, a Queimados [a maior parte conduzida até o local do evento por cerca de 200 ônibus postos à sua disposição pelo prefeito petista do municipio vizinho de Nova Iguaçu, Lindberg Farias] para acompanhar a visita do presidente Lula da Silva àquele município do Estado do Rio de Janeiro, interrompiam as palavras de S.Excelência, que lá esteve para assinar convênio com a prefeitura local com vistas à retomada das obras de construção do Hospital Geral de Queimados, interrompidas há quinze anos. Não faltaram faixas e cartazes de apoio ao presidente da República.
Em contraposição aos diversos segmentos políticos que o acusam de estar aproveitando ocasiões como a de hoje para fazer campanha visando às eleições de outubro próximo [mas em clima claramente eleitoral] o presidente Lula da Silva afirmou ser um homem com a cara do povo sofrido que só tem de se orgulhar por ter votado "num igual" para presidente.
Em discurso que antecedeu as palavras de Lula, disse Rogério do Salão (PL-RJ), prefeito da cidade: "Não ceda, o povo precisa do senhor mais uma vez".
"Quando eu desci aqui e me deparei com a fisionomia de vocês, eu disse a mim mesmo: essa é a minha gente, porque essa é a minha cara. A minha cara não é a cara da zona sul (do Rio), não é a cara da avenida Paulista (de São Paulo) [...] Minha cara é a cara do povo sofrido, que clama por justiça. Mais do que a cara, o sangue que corre nestas veias aqui é o de um retirante nordestino, que não esquece o sofrimento desse povo e que lamenta todo dia não poder ter feito muito mais [...] Mas com paciência, pode ficar certo: haveremos de fazer com que esse povo sofrido sinta orgulho de ter votado num igual a ele para ser presidente do país. [...] Este ano é de colheita muito grande, por isso vamos ver as pessoas dizendo que o ato de Queimados aqui, por exemplo, é campanha eleitoral. Se eu não fizesse, era campanha eleitoral para eles. Entre fazer para eles ou para mim, prefiro fazer para nós. [...] Conquistamos a independência, a soberania de verdade. Pode bater no peito e dizer que o Brasil não precisa mais mendigar dinheiro ao FMI ou a qualquer um que seja. [...] Não governo apenas com a racionalidade da cabeça, mas com a sensibilidade do coração para saber quem mais precisa. O papel do governo é cuidar dos mais pobres", foram algumas das palavras do presidente em seu discurso.
Lula , ao findar sua oração, indicou ser possível a instalação da nova refinaria petroquímica da Petrobras [prevista para 2011] na Baixada Fluminense [Campos, região desenvolvida por conta da ocorrência de petróleo, é a outra área possível], o que fez reiniciar as palavras de ordem do público presente.
Engana-se quem pensar que S.Excelência aproveitou a oportunidade para fazer campanha eleitoral antecipada?

