sexta-feira, março 17, 2006

BATOM NA CUECA E BATOM NA CUECA

Não digo o nome, por motivos óbvios, mas é um analista famoso e conhecido na praça. Cliente seu, contou ele entre dois uísques - acredito eu que já no terceiro ou quarto, a bem da verdade -, foi obrigado a deixar o apartamento de sua casadíssima bem-amada às pressas; tão às pressas que não teve tempo nem de recolher seus pertences e acredite, severo leitor, muito menos suas calças ou qualquer outra peça de roupa. Tudo isto aconteceu em bairro nobre do Rio de Janeiro onde tantas coisas mais ou menos sem sentido ocorrem.
Saiu o cavalheiro, pois - despido do gozo do amor da bela senhora e sem uma peça de roupa siquer -, a andar pela rua movimentadíssima onde se deu o fato. Você, leitor, com todo meu respeito, já viu alguém andando olimpicamente pela rua, às quatro horas da tarde, irremediavelmente pelado? Suponho que não, a não ser que estivesse naquela segunda-feira [Dia Internacional do Adultério] chuvosa, naquele bairro nobre da zona sul, por onde, por poucos minutos, o cliente de nosso analista desfilou. Calmamente, olhos fixos em lugar nenhum, doido que um camburão da policia o levasse. E foi o que aconteceu. Em vez dos braços da amada o cidadão despencou na sala de um delegado, recém admitido no serviço público e, sorte sua, sem a truculência [força da função] que alguns mais velhos apresentam nos dias de chuva.
Envergonhado da própria nudez, encoberta apenas por jornal encontrado em um banco da delegacia, o cidadão - delegacia é o unico lugar onde brasileiro é chamado de cidadão - explicou ao jovem delegado suas desventuras. Sorriu a autoridade, sorriso discreto de pessoa educada, trocou meia dúzia de palavras com o escrivão e assumiu o controle da situação. "Deixe comigo. Eu o levo até sua casa e explico a D.Fulana [omitimos o nome da patroa, como chamava a nulher] que o senhor foi vítima de um assalto e, graças à eficiente ação de nossos policiais, foi resgatatado nas melhores condições físicas possíveis. Nu e sem um tostão no bolso, é verdade, mas muito bem de saúde."
Termina por aqui a narrativa e fique certo nosso leitor, que foram preservados os casamentos, dele e da generosa senhora, que continuou a acolhê-lo às segundas-feiras. Com maiores cuidados, sem dúvida.

Fez-me lembrar essa história - do homem nu na rua movimentada - o caseiro Francenildo dos Santos Costa. Responsável pelas humildes tarefas de manutenção e limpeza da casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por Vladimir Poleto, homem do "staff" [pode-se chamar assim?] do ministro Palocci, usada para atividades não muito bem esclarecidas pelos conhecidos integrantes do chamado "grupo de Ribeirão Preto". Não sei nem quero saber o que lá se fazia; há quem diga cobras e lagartos sobre o que acontecia na casa. Não é minha função sabê-lo. Sei, porém, que um ministro de Estado, Antonio Palocci, de quem se disse frequentá-la, o negou. E vem o chato do caseiro , com a ternura dos simples, contestar as palavras da autoridade; que já negara outras coisas, depois comprovadas, em outras oportunidades.

Batom na cueca do marido adúltero pode e deve [segundo alguns mais radicais e com o perdão das feministas] ser contestado, negado até a morte, com lágrimas nos olhos se necessário. Com ou sem ajuda da autoridade competente.

Mas batom na cueca de autoridade pública [mentir, negar malfeitos descobertos], do escalão do sr. Palocci, não tem justificativa. Há que se pedir perdão à Nação, de joelhos, usando todos os meios de comunicação [jornais, rádio, televisão. internet e o que mais couber] possíveis e imagináveis. Batom na cueca de autoridade, caro leitor, significa perda de coisas muito mais importantes. Não vou nem quero citá-las por achar que o sr.Palocci vai usar seu direito de renúncia para manter a dignidade do cargo e do homem de respeito - será ainda ou nunca foi? - que grande parte do povo brasileiro pensou que tivesse.

Mais: para tanto não há necessidade de delegado competente [como o do homem nu]; muito menos de magistrado do mais alto escalão do Poder Judiciário.

Que Deus me perdoe se estiver errado
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