Duda Mendonça, ex-marqueteiro do presidente Lula da Silva, orientado por seus advogados, negou-se a responder às perguntas feitas pelos em seu segundo depoimento na CPI dos Correios - no primeiro, apresentou-se espontaneamente para prestar declarações -, ao iniciar-se a tarde ontem, quarta-feira, 15. Garantido por habeas corpus que lhe assegurou o direito de ficar calado sem correr o risco de de ser preso, Duda fundamentou sua atitude como resultado da orientação de seus advogados: "Gostaria de responder todas as perguntas, mas já falei tudo o que deveria. Serei fiel à promessa que fiz ao meu advogado e não responderei as perguntas", afirmou .
De acordo com o publicitário, a decisão de silenciar diante das perguntas que lhe foram feitas resultou de discussões com seus advogados que se prolongaram até as 3h da manhã de ontem. Disse o marqueteiro: "Eles [os advogados] me convenceram a não falar, dizendo que falei uma vez e me dei mal e que qualquer coisa que eu dissesse iria comprometer a minha defesa".
No depoimento na CPI, em agosto do ano passado, Duda disse haver recebido R$ 10,5 milhões de conta no exterior designada Dusseldorf, segundo orientação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de supostamente operar o esquema do "mensalão", e diria respeito a serviços prestados pelo publicitário ao Partido dos Trabalhadores em 2003.
Responsável pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, Duda é considerado um dos mais eficientes marqueteiros do país, o que foi ressaltado pelo presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, indignado [como os demais parlamentares] com a orientação adotada pelos advogados do depoente [que não depôs].

