Muito há que se dizer do jogador Pelé, que imortalizou a camisa 10 da seleção e tantas glórias trouxe ao Brasil. Vale o mesmo para o cidadão Edson Arantes do Nascimento, vítima, faz tempo - acho que desde o milésimo gol de Pelé - da má vontade de parcela irrelevante da imprensa e da meia dúzia dos que zombam de sua irretocável biografia, como jogador e cidadão.
Lembrei do craque por duas frases suas que originaram, sem dúvida, as reações contra ele: "Dedico este gol às crianças do Brasil" e "Brasileiro não sabe votar". Começou, desde a primeira, a desdobrar-se o enredo de um samba de crioulo doido que nunca mais teve fim. Edson Arantes era ainda jogador e fazia seu gol de número mil, cobrando penalidade contra o Vasco da Gama [era o argentino Andrada o goleiro, se não me falta a memória quanto ao país de origem], o que o quarentão Romário vem perseguindo faz tempo e não acredito venha a alcançar.
Menino de infância humilde, já consagrado à época do gol e, sobretudo, rico [coisa que faz mal a muita gente], o craque Pelé deve ter visto, numa fração de segundo, o garoto magrinho que foi e a família com dificuldades em que viveu; e disse aquela frase simples que marcou a todos tão profundamente, menos àqueles que por ela o ironizam até hoje.
Perguntado sobre a política e políticos do Brasil deu opinião sincera a respeito: foi a gota d'água para a gozação maldosa, feita por alguns, separando o jogador de futebol do cidadão."O Pelé é muito bom com a bola nos pés; já o cidadão Edson não pode falar, só diz bobagem", deixam transparecer [na televisão, nos jornais ou no rádio] a má vontade enrustida que contrapõe o brasileiro classe média ao brasileiro que deu certo na vida. E não há hoje em dia quem, pretendendo mostrar-se "erudito" em coisas do futebol - até mesmo aqueles que optaram pela profissão que ele tanto honrou - repita a frase injusta, com variantes, sobre este negro bem sucedido e merecedor do respeito do Brasil inteiro.
Essas lembranças todas por quê? Porque hoje, mais que nunca, se confirma a incompetência do brasileiro na hora de votar. Veja a amável leitora, entre os que estão à sua volta, neste instante, quantos sabem - nomes e partidos, se ainda nos que os elegeram e neles se mantendo até agora - quais os políticos [deputados e senadores] nos quais votaram para nos representar. Numa hipótese otimista, dependendo do grupo social em que a amiga se encontre no momento, talvez um em um círculo de cada dez. Hipóteses diferentes serão, meramente, desvios estatísticos.
Pior ainda se você identificar, preocupado leitor, o deputado que elegeu como um daqueles que entende não ser crime a manipulação de contas por meio do chamado caixa dois, como afirmou peremptoriamente o senhor ministro da Justiça. Ou será menos mau que o deputado que hoje, por exemplo, mantém seu companheiro de partido [que ele sabe ser corrupto] na Casa, escondendo-se atrás do voto secreto, acredite que sua atitude reflita, apenas, o tão mal interpretado "espírito de corpo" [deles].? Ou, ou, ou... e são tantos os 'ou' que afligem nososs parlamentares que podemos imaginar ser-lhes impossível dormir com a tranqüilidade dos justos. São os zumbis da política a serviço de seus pares, envolvidos, só por hipótese, nos valeriodutos da vida, tão desgastantes para uns pouco sinceros e honestos que circulam envergonhados pelos corredores do Congresso.
Nenhum dos candidatos em que votei foi eleito; sorte minha. Vamos experimentar de novo no dia 1º de outubro próximo.
Pelé tinha razão, fale quem quiser falar.
Lembrei do craque por duas frases suas que originaram, sem dúvida, as reações contra ele: "Dedico este gol às crianças do Brasil" e "Brasileiro não sabe votar". Começou, desde a primeira, a desdobrar-se o enredo de um samba de crioulo doido que nunca mais teve fim. Edson Arantes era ainda jogador e fazia seu gol de número mil, cobrando penalidade contra o Vasco da Gama [era o argentino Andrada o goleiro, se não me falta a memória quanto ao país de origem], o que o quarentão Romário vem perseguindo faz tempo e não acredito venha a alcançar.
Menino de infância humilde, já consagrado à época do gol e, sobretudo, rico [coisa que faz mal a muita gente], o craque Pelé deve ter visto, numa fração de segundo, o garoto magrinho que foi e a família com dificuldades em que viveu; e disse aquela frase simples que marcou a todos tão profundamente, menos àqueles que por ela o ironizam até hoje.
Perguntado sobre a política e políticos do Brasil deu opinião sincera a respeito: foi a gota d'água para a gozação maldosa, feita por alguns, separando o jogador de futebol do cidadão."O Pelé é muito bom com a bola nos pés; já o cidadão Edson não pode falar, só diz bobagem", deixam transparecer [na televisão, nos jornais ou no rádio] a má vontade enrustida que contrapõe o brasileiro classe média ao brasileiro que deu certo na vida. E não há hoje em dia quem, pretendendo mostrar-se "erudito" em coisas do futebol - até mesmo aqueles que optaram pela profissão que ele tanto honrou - repita a frase injusta, com variantes, sobre este negro bem sucedido e merecedor do respeito do Brasil inteiro.
Essas lembranças todas por quê? Porque hoje, mais que nunca, se confirma a incompetência do brasileiro na hora de votar. Veja a amável leitora, entre os que estão à sua volta, neste instante, quantos sabem - nomes e partidos, se ainda nos que os elegeram e neles se mantendo até agora - quais os políticos [deputados e senadores] nos quais votaram para nos representar. Numa hipótese otimista, dependendo do grupo social em que a amiga se encontre no momento, talvez um em um círculo de cada dez. Hipóteses diferentes serão, meramente, desvios estatísticos.
Pior ainda se você identificar, preocupado leitor, o deputado que elegeu como um daqueles que entende não ser crime a manipulação de contas por meio do chamado caixa dois, como afirmou peremptoriamente o senhor ministro da Justiça. Ou será menos mau que o deputado que hoje, por exemplo, mantém seu companheiro de partido [que ele sabe ser corrupto] na Casa, escondendo-se atrás do voto secreto, acredite que sua atitude reflita, apenas, o tão mal interpretado "espírito de corpo" [deles].? Ou, ou, ou... e são tantos os 'ou' que afligem nososs parlamentares que podemos imaginar ser-lhes impossível dormir com a tranqüilidade dos justos. São os zumbis da política a serviço de seus pares, envolvidos, só por hipótese, nos valeriodutos da vida, tão desgastantes para uns pouco sinceros e honestos que circulam envergonhados pelos corredores do Congresso.
Nenhum dos candidatos em que votei foi eleito; sorte minha. Vamos experimentar de novo no dia 1º de outubro próximo.
Pelé tinha razão, fale quem quiser falar.

