quinta-feira, março 30, 2006

OS FATOS NARRADOS NÃO PERMITIRAM QUE ELE CHEGASSE A TER CERTEZA DE QUE HOUVE MENSALÃO. SE TIVESSE LIDO UM POUQUINHO MAIS QUANDO MENOR...

"Como é de sabença, não incide, aqui, responsabilidade objetiva do Chefe Maior da Nação, simplesmente, por ocupar a cúspide da estrutura do Poder Executivo, o que significaria ser responsabilizado independentemente de ciência ou não. Em sede de responsabilidade subjetiva, não parece que havia dificuldade para que pudesse lobrigar a anormalidade com que a maioria parlamentar se forjava. Contudo, não se tem qualquer fato que evidencie haver se omitido".
[Trecho do relatório lido pelo deputado Osmar Serraglio, ontem, 29, na Câmara dos Deputados]

Foram estas as palavras, um pouco complicadas, concordo, que o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), escolheu para informar ao Brasil que o presidente Lula da Silva teve conhecimento da existência do mensalão, cuja existência foi e é por ele negada até hoje.
Confirmam as palavras do relator o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o deputado Aldo Rebello (PT-SP), atual presidente da Câmara dos Deputados, à época, no exercício de funções da total confiança do presidente. Aquele, responável pela informação sobre o fato, passada ao presidente por mais de uma vez; este, confirmando ao Conselho de Ética ter conhecimento da denúncia feita ao presidente por Jefferson, já que se encontrava, no momento da mesma, em reunião com S.Excelência, da qual - além do deputado posteriormente cassado e de Lula - participaram o ministro Mares Guia e o deputado petista Arnaldo Chinaglia. Depôs, no mesmo conselho, confirmando também a denúncia, o deputado José Múcio, presente ao encontro em que, pela primeira vez, Jefferson informou a Lula da existência do mensalão, que era matéria de conhecimento da maioria dos parlamentares.
Não houve fato que viesse a objetivar, contudo, omissão do presidente quanto à existência do mensalão e ao crescimento incontido da bancada governista, concluiu o relator. Talvez uma gravação das conversas mantidas à época, quem sabe? Ou, quem sabe?, o registro taquigráfico das denúncias feitas que viesse acompanhado de fotografia [digital serviria?] do fato.

Indiferente a estas especulações tolas, Lula da Silva continua sua inquestionável campanha para a reeleição, dirigindo-se ao povo brasileiro com seus magistrais improvisos como se estivesse falando, em reunião sindical dos tempos de torneiro-mecânico, a seus companheiros operários.