sexta-feira, abril 07, 2006

HÁ QUE SE TOMAR ATITUDE RIGOROSA COM OS MOLEQUES QUE FIZERAM UMA ESBÓRNIA NA VOTAÇÃO DO RELATÓRIO DE OSMAR SERRAGLIO

Aprovado o relatório da CPI dos Correios - aos trancos, barrancos , ameaças de desforço físico [não é de se esquecer a imagem via Embratel para todo o Brasil do deputado Bittar, mãos na cintura qual baiana a iniciar suas evoluções na passarela do samba, afrontando seu companheiro de partido e presidente da CPI, senador Delcídio Amaral] e, acredite leitor, até mesmo palavras de baixo calão ditas em alto e bom som para quem se dispusesse a ouví-las -, vai ficar difícil para o presidente Lula da Silva negar a existência do mensalão que ele contesta desde que vieram à tona as primeiras notícias sobre a questão.
Lembra, leitora de boa memória, das imagens de S.Excelência em rede nacional de televisão afirmando que o mensalão não existia? Que, se existisse, aí sim, tomaria as providências que a nação viesse a exigir, doesse a quem doesse?
Falou S.Excelência para os jornais, para as emissoras de rádio, para as estações de televisão, para as platéias arrebanhadas a preço de sanduiche em seus comícios de campanha pelos grotões e capitais, para D. Marisa Letícia e os filhos Lulinha e Lurian na intimidade do palácio e para quem mais tocasse no assunto à sua frente, lados ou retaguarda. Negou veementemente que em seu governo existissem mensaleiros ou quaisquer coisas parecidas e que providências seriam tomadas tão logo alguém [ha ha ha] provasse que existiam mesmo.
Pois aí está. Com seu jeito de parlamentar do baixo clero, desconhecido da maioria dos brasileiros, o deputado Osmar Serraglio, modestamente, "na moita", como se dizia em tempos idos, provou por A mais B, em quase duas mil páginas de relatório rico em detalhes, que o mensalão existe, sim. Deu nomes de parlamentares a serem investigados pelo Ministério Público, sugeriu soluções para dar fim à esbórnia que viceja nas ante-salas do Congresso e outras tantas da capital da república, analisou tudo e procurou fazer justiça até onde foi possível.
Ouço - perdoem a licença poética -, com estranheza, o silêncio do presidente sobre a questão. Não vejo, muito menos pressinto, aquela arrogância que apresentava S.Excelência tempos atrás na certeza, suponho, de que nada seria desvendado [como quase nada se resolve neste Brasil Maravilha].
Onde as promessas de se levar ao cadafalso - nova licença poética amiga leitora - ou, ao menos, exigir, com o poder de fogo somente dado às altas autoridades, cadeia e punições as mais severas possíveis para os que burlaram a lei?
Nada disso; apenas sugestões disfarçadas de que o relatório não provou nada, nada revela que possa fazer cair sobre os culpados a mão pesada da lei.
Sinto Lula mais próximo dos deputados - lembro que, em certa época certa autoridade chamou-os de "300 picaretas", não me vem à memória quem foi - que absolveram os últimos parlamentares julgados em plenário, contrariando as propostas de cassação da Comissão de Ética. Tomara que eu esteja errado. Mais: terá Lula sabença, a partir de agora, para não mais negar a existência do mensalão e mensaleiros?
Recorda, leitora, que alguém disse, faz tempo, também não lembro o nome [acho que um ex-jogador de futebol], que o brasileiro não sabia votar? Em outubro, estarão todos eles - os deputados que estão absolvendo e os absolvidos - de volta a Brasília, com o voto do povo, como a democracia gosta, às confortaveis salas e salões do Congresso Nacional. Uma pena.

Diversos deputados que fazem parte do Conselho de Ética, ainda não confirmados em definitivo seus nomes, em atitude digna e honrosa [é bom que se divulgue em cada praça pública do país quem são eles] pediram e estão pedindo que sejam liberados de suas funções no conselho. Esses, com certeza, não serão reeleitos.
Triste fim desses Policarpos Quaresma.