segunda-feira, abril 10, 2006

QUANDO O AUMENTO CHEGAR...

Interessada, leitora amiga, em saber "tudo" sobre a Copa do Mundo de 2006? Conhecer 2047 fotos dos melhores lances das copas desde 1934? Falar para o exterior usando seu computador e pagando 5% apenas do valor cobrado pela concessionária mais conhecida?
Quem gostaria de ter a relação - com fotografias de corpo inteiro - dos detentores do Prêmio Nobel em todas categorias, desde 1930? Quais os sintomas da gripe aviária e como evitá-la? Como preparar um sarapatel sem usar miúdos de porco e conseguir sabor idêntico ao obtido pelas melhores cozinheiras da Bahia e circunjacências?
Você, madame, tem idéia de como mudar o pneu furado de seu carro em dia de chuva molhando-se o mínimo possível, sem usar capa de chuva? E o senhor, cavalheiro, saberá construir um relógio de sol em seu quintal usando apenas um transferidor e uma régua com 50 centímetros de comprimento? Como fazer um concurso público e passar na primeira tentativa [sem procedimentos imorais]?
Saberá o jovem leitor como juntar mil figurinhas, diferentes umas das outras, daquelas compradas em bancas de jornais, em apenas uma semana, não sendo amigo do jornaleiro? Gostaria o bem informado leitor de concorrer a um liquidificador ultra moderno respondendo, até o final do dia de hoje, quantos gols fez o goleiro Rogério Ceni em jogos realizados em sábados chuvosos?
Pois bem, amiga, respostas para todas as perguntas acima - e muitas e muitas outras - você encontrará ao tentar falar, se quiser encerrar [em certas segundas-feiras ensolaradas do Rio de Janeiro], sua conta de e-mail nos provedores que disponibilizam, gratuitamente ou não, serviços pela Internet. Ao menos foi o que aconteceu, e chegou a meu conhecimento, com, pelo menos, três pessoas de minha família, cinco assinantes deste modesto blog e por fim, mas não definitivamente, tenho certeza, com este pobre escriba.
Saibam aqueles a quem interessar possa, que cancelar e-mail mantido há mais de dois anos e usado umas poucas vezes consumiu-me quase duas horas de trabalho na manhã de hoje. Simpaticíssimos atendentes - dos que falam mesmo, não aquelas vozes misteriosas que não sabemos de onde vêm - pediam nosso CPF, confirmavam nosso nome [apenas para nossa segurança], endereço, identidade profissional, estado civil, número de filhos e outros itens que me fogem, no momento, à memória; passadas todas as informações solicitadas e por eles confirmadas, gentilmente informavam que a ação de cancelamento deveria ser cumprida em outro setor e que eu deveria desligar e repetir toda a operação novamente; agradeciam nossa ligação e desligavam rapidamente, por certo para evitar os desaforos que receberiam [depois de mais de uma hora com o telefone no ouvido fazer o quê?] e que ficavam contidos em nossa garganta à espera do próximo atendente.
Mas Deus é grande. Conseguimos receber nosso protocolo de confirmação de cancelamento e eis que o e-mail que nem lembro mais qual era foi cancelado.

Neste país abençoado o desejável é que tais coisas não acontecessem. Mas como, amiga, se no serviço público as coisas são bem piores? Experimente tentar fazer consulta em hospital de porte grandioso situado na zona sul deste Rio de Janeiro, como Zé [chamemo-lo assim], amigo meu, tentou. Após várias tentativas para falar com médico - que lhe fora recomendado por clínico da casa - especialista na doença que o acometia, impedido que era de procurá-lo em seu consultório no sétimo andar do prédio, decidiu aguardar na portaria. Passadas cerca de duas horas de espera teve um desmaio e foi socorrido por, pasmem!, senhora idosa que se encontrava na fila para recebimento de remédios gratuitos que, como de regra, não estavam disponíveis no momento; um "profissional de saúde", a dois metros do doente, não saiu de seu posto para socorrê-lo; mandou perguntar se desejava que chamasse um táxi que pudesse deixá-lo em sua residência. Zé, agradecido, aceitou. Foi embora sem falar com o médico ou quem mais pudesse ajudá-lo.
Continua doente à espera de uma melhora de vida para procurar os serviços de clínica particular. Vem o aumento em sua aposentadoria de R$ 400,00 por aí e tudo, se Deus quiser, vai ser resolvido. Não sabe ele é que seu aumento REAL vai ser de 1,5%.

Nunca houve neste país governo tão preocupado com os aposentados do INSS quanto este.