sexta-feira, dezembro 15, 2006

HOJE É SEXTA-FEIRA, SENHOR MINISTRO. PEÇA A ALGUÉM EM SUA CASA PARA FAZER UM PACOTÃO DE PIPOCAS E VÁ VER OS ÚLTIMOS LANÇAMENTOS EM DVD

Terá sido insone a madrugada do senhor ministro da Fazenda e amargo seu café da manhâ de hoje ao ver confirmado, desde ontem à noite, que as Mesas Diretoras de Senado e da Câmara dos Deputados aumentaram, em mais de 91%, os subsídios dos senhores representantes do povo naquelas casas?
Pelo que diz o senhor Mantega, não [já que, como é de regra entre as autoridades deste governo que vê extinguir-se seus primeiros quatro anos de trabalho, continua desconhecendo tudo que se passa nos salas contíguas às suas]. Nada viu, de nada sabia. Assustou-o, como ninguém pode imaginar, o fato.


Descobrí-me, com o susto daquela autoridade, mais paspalhão que ele.
Eu, por vítima indefesa dos irresponsáveis trabalhadores bissextos de Brasília; ele, por ministro inocente que revelou ser.

Desde o mais importante ao mais humilde dos brasileiros - eleitores obrigatórios ou não votantes por convicção -, todos, sem exceção, tomaram conhecimento nas bancas de jornais, nas estações de rádio, antes ou depois da novela das oito na TV Globo, nas portas [e no interior] dos botequins da vida [de Santa Cruz ao Leblon, de Sepetiba a São Conrado, de Paquetá à Ilha do Governador], todos souberam que os presidentes das duas casas legislativas compunham com o "baixo claro" - sob o risco de termos pela proa como sucessor primeiro do senhor Da Silva um novo Severino - o aumento a ser dado aos excelentíssimos obreiros de meia semana de trabalho que o povo brasileiro elegeu.

É, inteligente leitora, trata-se daquele mesmo povo que não precisa de "intermediários" para escolher seus candidatos nas eleições; disse-o, ontem, o primeiro mandatário, quase aos prantos, esquecido, talvez, de que uma "bolsinha-familia" aqui e ali dispensa qualquer intermediação nessas ocasiões.

Que o Ditinho, que trabalha na banca de jornais aqui da esquina - entregando revistas às madames das redondezas que não gostam de lá ir por conta do ponto de bicho que fica bem a seu lado -, não soubesse, vá lá. Ditinho é analfabeto de pai, mãe e madrinha, aliás todos mortos num dia de batida braba lá na Rocinha tem mais de dez anos. Foi encaminhado para uma instituição de proteção ao menor e, aos dezoito anos, foi obrigado a de lá sair [mais analfabeto do que quando entrou]. Sorte dele que não foi trabalhar nas "bocas" de amigos seus de infância lá no Vidigal. Mas, senhor Ministro, por incrível que pareça, até ele soube das manobras que faziam em Brasília; analfabeto, é verdade, ele é, mas não surdo nem burro nem cego [com o perdão dos politicamente corretos].

Fiquei estupefacto, excelência, com seu desconhecimento do fato. Acreditei, na primeira vez que o vi falar do assunto, tratar-se de alguma manobra política para garantir, neste período de salve quem puder seu ministério, os trocados que o senhor Ministro da Defesa diz receber por mês [com direito a revelar seu contracheque - hollerith, para os paulistas - à imprensa ou a quem mais tiver interesse em saber quanto ganha um ministro], que devem, a meu ver, ser tantos quanto os seus.

Convenci-me depois, ministro, que o senhor dizia a verdade: primeiro, porque um ministro não mente; segundo, pela sinceridade que o senhor deixava transparecer em seu semblante e em suas palavras.
Ponto para o senhor.

Enquanto todo o Brasil mal dormia por força desta última demonstração de desprezo do Legislativo para com o povo brasileiro; enquanto o senhor fazia seu desjejum tranquilamente tendo ao lado seu cãozinho "poodle" [talvez, até, V.Excia. não tenha animais de estimação em casa; mas o dia em que me derem poderes para escolher um Ministro da Fazenda, haverá ele de ter um cachorrinho; e será "poodle", de preferência], deputados e senadores - não todos, quase todos, sejamos justos - faziam suas festinhas particulares para comemorar o "faz-me rir" que lhes
oferecia a brava gente brasileira.

E o senhor, ministro - da Fazenda - sem saber de nada...