Duas manchetes tristes, mais ainda para quem conhece com alguma profundidade seus conteúdos: CPI aprova relatório que pede indiciamento de petistas e isenta ex-ministros e Aldo confirma reajuste de parlamentares para R$ 24.500.
Deixo claro que, para mim, mais que tristeza, invade-me sensação de vergonha; aquela vergonha que nos impede tratar com parentes e amigos sobre como e para onde está caminhando esta nossa terra, vítima de malfadadas CPMI's [como a das Sanguessugas] e inglórias pretensões salariais [aumento de deputados e senadores] que apenas servem para encher os bolsos de meia dúzia de brasileiros privilegiados, chegados ao poder, infelizmente, através do voto de um povo cada vez mais ludibriado por aqueles aos quais concede seus votos e suas esperanças.
Senão, vejamos, como dizia o velho professor de Cálculo Diferencial, cujo nome prefiro não enunciar por temer vê-lo de volta à terra para atazanar os neurônios e a paciência de meu neto adolescente, aluno do colégio de onde saí já lá se vão mais de cinquenta anos:
Por unanimidade, em votação simbólica, ao terminar a manhã de hoje, foi aprovado pela comissão o texto do relatório final da chamada CPI das Sanguessugas, em que é pedido por seu autor - senador Amir Lando [PMDB-RO] -, o indiciamento de meia dúzia dos designados como "aloprados" por Sua Excelência, o senhor presidente Da Silva: Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas e Expedito Veloso. Acordou-se, no correr da madrugada, que o texto seria aprovado como foi apresentado por Lando.
"A nossa CPI não terminou em pizza. Se as conseqüências não foram aquelas que a sociedade espera, fizemos a nossa parte", argumentou seu presidente, deputado Antonio Biscaia [PT-RJ], ao comemorar a unanimidade conseguida na votação da matéria. Ainda bem que Sua Excelência não foi reeleito para nova legislatura; o povo, concentrada leitora, de quando em vez, acerta.
Caberá ao Ministério Público Federal - para onde será encaminhado - o exame do documento [relatório final] aprovado pela CPI que, além dos "aloprados" acima apontados, pede o indiciamento [por crimes que vão do tráfico de influência a fraudes em licitações, passando por improbidade administrativa e corrupção ativa] do empresário Abel Pereira, José Airton Cirilo, Raimundo Lacerda Filho e José Caubi Diniz.
A destacar a não inclusão dos nomes de ex-ministros da Saúde [José Serra e Barjas Negri, do PSDB; Humberto Costa, do PT e Saraiva Felipe, do PMDB] por participação na fraude - "Não ficou comprovado o conhecimento, autorização ou participação dos ministros que ocuparam recentemente a pasta da Saúe no que se refere ao tráfico de influência ali investigado, motivo pelo qual deixam de ser citados" -, assinala o relator, muito embora tenham sido levantadas suspeitas sobre quase 10% das 600 prefeituras suspeitas de envolvimento nas falcatruas relacionadas à liberação de emendas para compra superfaturada de ambulâncias.
No que diz respeito à origem do dinheiro encontrado em poder de Valdebran e Gedimar, conclui o senador Lando: "Na hipótese de surgir provas que os valores destinados à aquisição do dossiê originaram-se do caixa de campanha ou de recursos partidários configurar-se-ia infração eleitoral de abuso do poder econômico."
Assim como nada fica esclarecido quanto à origem do dinheiro encontrado com os dois "aloprados", também nada fica explicitado no que diz respeito a possível conhecimento prévio que os candidatos Lula e Mercadante pudessem dele ter ou de benefícios que estivessem pretendendo usufruir, por conseqüência, de sua utilização.
Como se vê, pois, bela manchete, a do conteúdo do relatório da falcatrua das ambulâncias, para se gozar um feliz final de semana.
Quanto à outra manchete - aumento dos subsídios de deputados e senadores -, tratei-a, ontem, de maneira que, somente hoje, descobri altamente panfletária, pelo que peço minhas desculpas.
Dela, a falar, simplesmente, que o aumento, pouco mais de 91%, foi hoje aprovado: receberão, Suas Excelências, mensalmente, um singelo "faz-me rir" de R$ 24.500.
Insisto: e nós, pastando... e aguardando o efeito cascata que virá logo em seguida.
Deixo claro que, para mim, mais que tristeza, invade-me sensação de vergonha; aquela vergonha que nos impede tratar com parentes e amigos sobre como e para onde está caminhando esta nossa terra, vítima de malfadadas CPMI's [como a das Sanguessugas] e inglórias pretensões salariais [aumento de deputados e senadores] que apenas servem para encher os bolsos de meia dúzia de brasileiros privilegiados, chegados ao poder, infelizmente, através do voto de um povo cada vez mais ludibriado por aqueles aos quais concede seus votos e suas esperanças.
Senão, vejamos, como dizia o velho professor de Cálculo Diferencial, cujo nome prefiro não enunciar por temer vê-lo de volta à terra para atazanar os neurônios e a paciência de meu neto adolescente, aluno do colégio de onde saí já lá se vão mais de cinquenta anos:
Por unanimidade, em votação simbólica, ao terminar a manhã de hoje, foi aprovado pela comissão o texto do relatório final da chamada CPI das Sanguessugas, em que é pedido por seu autor - senador Amir Lando [PMDB-RO] -, o indiciamento de meia dúzia dos designados como "aloprados" por Sua Excelência, o senhor presidente Da Silva: Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas e Expedito Veloso. Acordou-se, no correr da madrugada, que o texto seria aprovado como foi apresentado por Lando.
"A nossa CPI não terminou em pizza. Se as conseqüências não foram aquelas que a sociedade espera, fizemos a nossa parte", argumentou seu presidente, deputado Antonio Biscaia [PT-RJ], ao comemorar a unanimidade conseguida na votação da matéria. Ainda bem que Sua Excelência não foi reeleito para nova legislatura; o povo, concentrada leitora, de quando em vez, acerta.
Caberá ao Ministério Público Federal - para onde será encaminhado - o exame do documento [relatório final] aprovado pela CPI que, além dos "aloprados" acima apontados, pede o indiciamento [por crimes que vão do tráfico de influência a fraudes em licitações, passando por improbidade administrativa e corrupção ativa] do empresário Abel Pereira, José Airton Cirilo, Raimundo Lacerda Filho e José Caubi Diniz.
A destacar a não inclusão dos nomes de ex-ministros da Saúde [José Serra e Barjas Negri, do PSDB; Humberto Costa, do PT e Saraiva Felipe, do PMDB] por participação na fraude - "Não ficou comprovado o conhecimento, autorização ou participação dos ministros que ocuparam recentemente a pasta da Saúe no que se refere ao tráfico de influência ali investigado, motivo pelo qual deixam de ser citados" -, assinala o relator, muito embora tenham sido levantadas suspeitas sobre quase 10% das 600 prefeituras suspeitas de envolvimento nas falcatruas relacionadas à liberação de emendas para compra superfaturada de ambulâncias.
No que diz respeito à origem do dinheiro encontrado em poder de Valdebran e Gedimar, conclui o senador Lando: "Na hipótese de surgir provas que os valores destinados à aquisição do dossiê originaram-se do caixa de campanha ou de recursos partidários configurar-se-ia infração eleitoral de abuso do poder econômico."
Assim como nada fica esclarecido quanto à origem do dinheiro encontrado com os dois "aloprados", também nada fica explicitado no que diz respeito a possível conhecimento prévio que os candidatos Lula e Mercadante pudessem dele ter ou de benefícios que estivessem pretendendo usufruir, por conseqüência, de sua utilização.
Como se vê, pois, bela manchete, a do conteúdo do relatório da falcatrua das ambulâncias, para se gozar um feliz final de semana.
Quanto à outra manchete - aumento dos subsídios de deputados e senadores -, tratei-a, ontem, de maneira que, somente hoje, descobri altamente panfletária, pelo que peço minhas desculpas.
Dela, a falar, simplesmente, que o aumento, pouco mais de 91%, foi hoje aprovado: receberão, Suas Excelências, mensalmente, um singelo "faz-me rir" de R$ 24.500.
Insisto: e nós, pastando... e aguardando o efeito cascata que virá logo em seguida.

