Era o início da última década do século que passou.
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Virou notícia, antes disso, em 1980. Motivo: participação, assumida, no ataque e assassinato de um grupo de 11 peões que havia entrado na terra indígena em que vivia. Detalhe: o assassinato dos peões foi consumado a golpes de borduna(*)
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Protagonizou documentário dirigido pelo cineasta francês Jean Pierre Dutilleux, em 1976. Título do trabalho: "Raoni: a Luta pela Amazônia".
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Hoje, Ano Santo de 2008, aos 76 anos de idade, recebe o índio Raoni - da Universidade Federal de Mato Grosso - o título de Doutor Honoris Causa.
Não recebeu da mesma casa o mesmo tratamento, que eu saiba - post-mortem que fosse -, o Coronel-Professor do Colégio Militar do Rio de Janeiro [dos saudosos anos 50] Manoel Cavalcanti Proença.
Das terras do Mato Grosso [nascido em Cuiabá, em 1905], como o foi o Marechal Rondon, o velho Proença ficou no coração de sua família, amigos e alunos. Inteiro.
Desnecessários títulos e honrarias.
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Importante: jamais precisou utilizar uma borduna para fazer valer suas idéias e direitos.
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(*) Borduna - sf. 1. Bras. Arma de indígenas do Brasil que consiste em um pedaço de pau roliço e duro com que desferem golpes [Aulete Digital]

