A Costa do Sauípe como cenário - escolhida a dedo pela diplomacia terceiro-mundista com que nos acostumamos a conviver - foi o que de mais perfeito Macunaíma encontrou para a cúpula da latinoameracanidade ["cucarachada", até pouco tempo atrás] soltar as frangas.
Foram duas cimeiras: uma, terça-feira última, de presidentes do Mercosul; a outra, de chefes de governo da América Latina e do Caribe, nos dois dias subsequentes.
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Fracasso total da primeira [confissão do próprio chanceler brasileiro, senhor Celso Amorim].
Um exemplo, ao acaso: S.Excia., nosso sempre generoso presidente, decidiu, mais uma vez, ajudar a Bolívia e seu pobre povo; propôs-se a escoar sua produção têxtil [detalhe: as autoridades americanas suspenderam as preferências comerciais concedidas aos produtos da Bolívia - os têxteis entre eles -, face ao rompimento por esta da cooperação bilateral no combate ao tráfico].
Breve comentário dentro de um exemplo: Faz o cocalero Evo Morales as lambanças na política externa boliviana e pagam os outros as conseqüências. Pagamos, no caso, e ferramo-nos nós, indústria e população brasileiras.
Aproveitaram-se vários dos governantes da América Latina [Chávez, Correa, Lugo e o próprio Morales] para reclamar da injustiça do governo americano [e lá iam perder uma oportunidade dessas?] e anunciaram, nunca explicitamente, é verdade, sua intenção de rever suas dívidas externas, deixando o Brasil - de forma clara, precisa e concisa - como a bola da vez no calote que se antecipa.
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Aguarda-se, da segunda, igual destino.
Antecipou-se ao fato nosso chanceler Amorim, ao registrar que, pela primeira vez, em 200 anos, celebra-se um encontro de cúpula "sem a presença de poderes externos", desde a vitória dos primeiros movimentos de independência na América Latina e no Caribe.
Às favas Estados Unidos, Espanha e Portugal, não disse o diplomata; mas, certamente, pensou.
Qualquer aluno do Instituto Rio Branco, no primeiro ano do curso, sabe o tamanho da burrice contida na expressão utilizada pelo chanceler. Mas quem manda é ele e o negócio é aprender com sua marra. Romário não se deu bem na carreira que escolheu?
Digna de registro mesmo, nesta segunda fase das festividades, é a presença do presidente Raúl Castro, herdeiro do governo cubano - até quando não se sabe - e irmão de Fidel, ausente por problemas de saúde.
Previsível o final da festança; e melancólico como todos os finais de festa: longos discursórios sobre as maneiras possíveis de integrar a região para levá-la ao desenvolvimento e para enfrentar, com êxito, a pobreza.
Não ficando no esquecimento, jamais, as mil formas de combater, e vencer, as grandes potências. Tá falado.
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Bom mesmo foram as gracinhas de Suas Excelências com as sapatadas que não chegaram a atingir o presidente americano Bush e os elogios constantes [e verdadeiros] sobre a beleza da natureza que encontraram em Sauípe.
Viva a Bahia, minha nêga! Só faltou show de mulatas.
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