A bala penetrou em seu cérebro e alojou-se na proximidade dos olhos. Seu estado, grave, permaneceu estável até ser vítima de uma parada cardíaca. A namorada, que com ele estava quando atingido pela bala , entrou em estado de choque ao saber de sua morte; encontra-se sob cuidados médicos em hospital da cidade.
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Em declarações à imprensa o delegado da área diz acreditar que o tiro tenha partido de algum lugar de Santa Tereza. Entende de forma diferente o irmão da vítima, José Muanis, 32: diz estar convicto que alguém da vizinhança - tudo aconteceu na Lapa, elogiada em prosa e verso pelos programas de lazer que oferece, sobretudo, aos jovens - foi o autor do disparo. Motivo: o incômodo provocado aos moradores das redondezas pelos frequentadores dos bares e restaurantes do local.
Parentes e amigos nada mais podem fazer senão lamentar a perda do rapaz com futuro tão promissor. Disse seu amigo Gustavo Campos: "Não tenho esperança nenhuma de que as coisas vão melhorar. Ele foi mais um."
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As autoridades municipais continuam com as blitzkriegen acreditando promover o ordenamento urbano da cidade onde as balas perdidas encontram pessoas inocentes. O governo do estado coloca todos os recursos da Polícia Militar ocupando favelas na certeza de torná-las livres, igualmente, das balas perdidas, dos traficantes e de outros criminosos. A Força Nacional de Segurança, experimenta novos armamentos para enfrentar o crime, enquanto os especialistas em segurança pública começam a dar o ar de sua graça, na mídia, contestando a eficiência e os efeitos do material que se está pretendendo adquirir.
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Victor Emmanuel Muanis tinha apenas 23 anos e estudava Engenharia Naval na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ).
Seu corpo será sepultado hoje, quarta-feira [21/01/2009], no cemitério de Petrópolis.

