Sigo apresentando a matéria ["Honduras"] - publicada no blog Pensar e Repensar - produzida pelo Professor Olveiros S.Ferreira. Insisto em que o leitor tome conhecimento das duas partes anteriores que apresentei neste blog, o que facilitará em muito o entendimento das idéias do autor.
"... Considerando-se os fatos históricos, caberá fazer perguntas, sem cólera nem parcialidade.
Se a República de Weimar estivesse no continente americano nos dias de hoje, a deposição de Hitler em 1933 seria motivo para que se condenasse o Exército alemão?
É preciso não esquecer que Hitler chegou ao poder, sendo consagrado Chanceler do Reich, pelas vias democráticas. Isto é, pelo voto popular, a indicação pelo Presidente da República e a aprovação pelo Reichstag. Depois de sua aprovação, veio o que veio praticamente em fevereiro de 1933. Depô-lo pelas armas deveria ser condenado pelas potências européias? Deveriam elas, retirar seus Embaixadores de Berlim?
Mussolini, igualmente eleito democraticamente membro do Parlamento, foi indicado Presidente do Conselho pelo Rei, e foi aprovado pelo Parlamento. Depois veio o que veio. Se o golpe de Estado de 1943 que o destituiu tivesse sido dado em 1924, depois do assassinato de Matteoti, deveriam as potências européias intervir?
Haverá quem diga que as situações são diferentes. Ao que responderia que não são, se atentarmos para o fato, real e indiscutível, de que a democracia formal, que praticamos em todos as países ibero-americanos e nos Estados Unidos, permite que qualquer demagogo chegue ao poder e realize, democraticamente, reformas que destroem a ordem estabelecida.
O “caso Honduras” permite ainda que se pergunte: que é o que defendem os Governos que dizem pautar sua conduta nas relações internacionais pela Declaração de Santiago? A forma de um processo político ou Ordem que o Congresso e a Suprema Corte de qualquer país são supostos defender? Em outras palavras: a Revolução, com todas as suas mazelas − o exemplo de Cuba aí está − ou a Ordem que Poderes da República estão capacitados a defender? Pode um chefe de Governo, apoiado em movimentos de massa que industria, destruir essa Ordem em nome da Revolução e da superação de velhas estruturas responsáveis pela miséria secular das populações? Podem Estados estrangeiros decidir qual a Ordem que deve prevalecer num determinado país em nome do respeito a uma forma política?
Citei Hitler e Mussolini para que o exemplo chocasse e permitisse a reflexão. Poderia ter ficado no Brasil..."
[Continua]
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Até outro dia...

