terça-feira, agosto 11, 2009

O CAÇADOR VELHO, O CAÇADOR NOVO E O URSO

Quem não quiser, não acredite. Mas, houve tempo em que os animais e árvores falavam, já dizia vó Aurora.

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Pois foi nesta época que dois caçadores, tidos pelos vizinhos como grandes amigos - um bem jovem e o outro chegando aos sessenta -, na temporada de caça de pequena cidade próxima àquela em que moravam, foram surpreendidos pela aproximação de um urso.

Trataram os dois de procurar abrigo para se salvar do animal; a única opção disponível no local era frondosa árvore que o mais novo rapidamente subiu e, em sua copa, se abrigou com segurança.

Não teve a mesma sorte o mais velho dos caçadores; sem a agilidade e forças do mais novo e com a certeza que não seria capaz de vencer sozinho o urso, só teve uma opção: atirar-se ao chão, fingindo-se de morto.

Não demorou muito e o animal se aproximou do homem estendido no chão; de olhos fechados e sem respirar o velho caçador sentia o focinho do bicho, ofegante, bem junto a suas orelhas. Certo de que encontrara um morto - e os ursos não comem carne de pessoas mortas [qualquer dúvida pergunte a quem tiver mais de noventa anos e seja especialista na vida dos animais] o animalzão seguiu caminho em busca de carne fresca para seu almoço.

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Passado algum tempo, o jovem desceu da árvore em que se abrigara com segurança e avisou ao caçador mais velho - deitado, ainda, imóvel e quase sem respirar - que já podia se levantar: o urso partira e estava longe deles; e, sem se conter, cheio de curiosodade, perguntou o que tanto o animal cochichava em seu ouvido.

"Nada de grande importância;", respondeu-lhe o velho, "lembrava-me, apenas, que deveria pensar muito bem antes de sair mundo afora com gente que, na hora do perigo, abandona seus amigos."

Moral: Na hora da dificuldade é que se põe à prova a sinceridade de certos amigos.

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Em conversa com minha entristecida amiga socióloga [continua desempregada nesta terra em que até os namorados das netas de autoridades estão ocupando cargos de elevada remuneração no serviço público], veio à baila o acontecido em recente sessão no Senado Federal.

Foi quando todo o país testemunhou, a cores ou em preto e branco - questão, apenas, do aparelho de TV disponível -, o abandono em que se viu antigo senador gaúcho diante dos ataques grosseiros da chamada Tropa de Choque do senhor Sarney.

Lamentável.