"Vamos exigir que as estradas sejam feitas dentro do que prevê a lei, com preço e qualidade técnica adequados. Não podemos aceitar qualquer tipo de aventura. O que acontece hoje era perfeitamente previsível. Quando há abandono e falta de fiscalização e investimento, o que ocorre é o caos e a tragédia que se abatem sobre as rodovias" - disse ontem, terça-feira (10/01/06), o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Adylson Motta, ao criticar a iniciativa do governo federal de dispensar licitações na contratação de empresas para a operação tapa-buracos, que teve início na última segunda-feira [ano eleitoral, por acaso].
Motta afirmou que irá cobrar [em encontro a ser marcado ainda neste mês de janeiro] explicações dos ministros da Casa Civil e dos Transportes [Dilma Rousseff e Alfredo Nascimento, respectivamente] e disse "que tem de haver uma razão muito forte" para que o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) deixe de abrir licitações, já que o abandono das rodovias do país não constitui novidade para ninguém nem foi conseqüência de ocorrência [fenômeno climático imprevisto, por exemplo] que justificasse a dispensa.
Pelo menos duas das empresas que estão trabalhando na operação tapa-buracos [Engesa Engenharia e Tescon Engenharia] são objeto de investigações do TCU por haverem apresentado indícios de irregularidades graves, apesar de não se ter, ainda, decisão final sobre os fatos que deram origem às investigações que poderiam inabilitá-las a participar de licitações ou prestar serviços ao governo.
Informou o ministro dos Transportes [parece que virou hábito neste governo] que não tinha conhecimento de problemas envolvendo as empresas.

