Terminou [em dezembro último] estudo realizado com base em dados levantados na Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)], em seis capitais de estados brasileiros - [Salvador/BA, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Recife/PE e Porto Alegre/RS] -, onde foi constatado receberem as mulheres negras e pardas no Brasil, em média, cerca de metade do que é pago às trabalhadoras brancas [em Salvador as mulheres negras recebem, em média, 1,9 salário-mínimo, enquanto que as brancas ganham cerca de 4,6; no Rio de Janeiro as de cor branca recebem 3,6 salários-mínimos, enquanto as negras ganham a metade desse valor].
Afirmou Ângela Pontes [subsecretária de Planejamento da Secretaria de Políticas para Mulheres]: "Essas mulheres sofreram, historicamente, um afastamento da escolaridade e da capacitação para o mundo do trabalho. Elas estão, em grande parte, na informalidade e no mercado das empregadas domésticas [...] Com relação ao caso específico das mulheres negras e o mercado de trabalho, especificamente com as empregadas domésticas, nós temos ações envolvendo-as. A Secretaria das Mulheres, a Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial e o Ministério do Trabalho têm atuado para que as empregadas domésticas tenham conhecimento de seus direitos como cidadãs", salientando que os dados revelam a necessidade de o governo trabalhar com mais profundidade na questão da cor e do gênero, canalizando [prioritariamente] seus esforços na escolarização e na capacitação das mulheres negras e pardas, sem deixar de lado o esforço de conscientização sobre seus direitos trabalhistas. Não esqueceu de indicar, a secreetária, seja para as áreas urbanas quanto para as áreas rurais, a distribuição de cartilhas informativas [para as empregadas domésticas e seus patrões] e a regularização de seus documentos.
Esperamos que despertem as autoridades detentoras "daquele dinheiro que não existe" [só em época de eleições] e promovam as mudanças que se impõem para tirar essas mulheres do regime de quase escravidão em que, faz tempo, se encontram. Mas que não sejam, pelo amor de Deus, como já nos cansamos de ver, operações tapa-buracos da pobreza e da miséria.

