Ainda D.Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, no lançamento da Campanha da Fraternidade para 2006:
"Temos conhecimento das pressões existentes, mas é preciso que interesses da sociedade também sejam satisfeitos [...] Mas é preciso ir além [do Bolsa Família e Fome Zero] delas [políticas assistenciais] [...] Existem necessidades não devidamente contempladas. O fato é que, a superação da pobreza, a geração de emprego, a segurança, tudo isso precisa de nova atenção das políticas públicas [...] Se ao longo do caminho percebe-se que existem camadas da sociedade que não estão sendo suficientemente atendidas pelas políticas sociais, então é preciso rever [...] Essa preocupação vem da sociedade, com o grande desnível de ricos e pobres que ainda existe e com tantas demandas que ainda não são atendidas de inclusão social [...] A sociedade tinha uma expectativa maior de haver políticas sociais mais eficazes. Sabemos que os governos têm limites, mas não podemos deixar de dizer que a sociedade tinha expectativa de políticas sociais mais eficazes de distribuição de renda e combate à desigualdade e à pobreza [...] Os candidatos serão fortemente cobrados. A população quer saber o que de fato será feito para gerar trabalho, renda e até para reduzir a sangria de recursos que acabam nas mãos de grupos financeiros [...] A mais importante política social é a geração de trabalho e renda. A política econômica não está voltada para a inclusão [...] É preciso rever a política de juros altos [...] O Fome Zero é bom, mas muito pontual. As políticas assistenciais precisam permanecer. Do contrário, um número maior de pessoas vai ficar pior do que está. Mas é preciso ir além..."
Contestando, na tarde de ontem, quarta-feira, 02, as críticas da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil às políticas econômica e social do governo, o presidente Lula da Silva citou passagem bíblica da "Santa Ceia", quando Jesus Cristo, reunido com os apóstolos, defendeu o "diálogo" e a "paz" entre as pessoas de diferentes origens e convicções. Disse S.Excelência:
"Estamos conseguindo mudar o Brasil porque o econômico e o social estão andando juntos, produzindo resultados concretos em benefício do nosso povo [...] [muitas vezes o governo abre mão de uma] expansão econômica rápida e desordenada [por uma] política sólida [...] Abraçamos uma política consistente de desenvolvimento que garantirá aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos a oportunidade de viver em um país com tantas riquezas naturais [...] As criticas são injustas."
Na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo, dizia:
"Ao criticar a política econômica, seria oportuno que a CNBB apresentasse a sua proposta. Estamos num mundo em que há limites, como o próprio secretário-geral reconhece. Sua opinião é respeitável, mas discordamos que não tenha havido inclusão social."
No Sambódromo, enquanto isso, o G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel ganhava o Carnaval de 2006; Martinho da Vila, seu Presidente de Honra, fazia crer que, entre ele e a escola não há problemas; e a estatal venezuelana do petróleo, grande financiadora da Vila, continua sua propaganda nas emissoras de rádio e TV do Brasil. Alguém sabe, ao certo, quais as verdadeiras intenções da PDVSA?

