sexta-feira, março 10, 2006

MST QUER MESMO É O CONFRONTO. QUEM VIVER, VERÁ

Em nota divulgada ontem, quinta-feira, 09 - em que trata dos atos de vandalismo ocorridos na sede da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS) - pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, diz o ministro Miguel Rossetto: ''Condeno e lamento os fatos [...] na empresa Aracruz [...] As imagens a que o país assistiu mostram cenas de inaceitável violência e ferem a consciência democrática de todos os brasileiros [...] É inaceitável substituir o argumento pela destruição violenta e a troca de idéias pela intolerância [...] Atos como este devem ter suas conseqüências tratadas com rigor no âmbito do Poder Judiciário. A luta pela reforma agrária no Brasil nada tem a ver com ações desta natureza e não deve ser confundida com atos isolados".
Enquanto isso, João Pedro Stedile, líder do MST-Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, saiu em defesa das ações levadas a cabo por seus liderados [de todas as designações] nos últimos dias. Afirma ele que a monocultura de eucalipto gera um "deserto verde", em benefício, apenas, das multinacionais: "Os governos são puxa-sacos das multinacionais. O que é incrível é um governo de esquerda também ser".
Ainda sobre a mesma questão e respondendo ao governador em exercício do Rio Grande do Sul, Antonio Hohldfeldt - que anunciou a eliminação da Via Campesina de qualquer tratativa envolvendo órgãos da administração estadual e classificou as agricultoras que invadiram Aracruz como massa de manobra dos líderes - disse Stedile, exaltando-as: "As companheiras estão de parabéns pois tiveram coragem de fazer um ato para chamar a atenção da sociedade".
Jaime Amorim, por outro lado, também lider do MST, aprovou a depredação, quarta-feira última, 08, do laboratório da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, por integrantes da Via Campesina. Afirmou ele quando perguntado a respeito da ação violenta levada a efeito no momento da ocupação: "Não estamos preocupados com a nossa imagem". Quanto às lágrimas derramadas por uma pesquisadora, transmitidas por rede nacional de televisão ao ver o resultado do vandalismo que destruiu anos e anos de trabalho, afirmou ele: "Se fosse uma pesquisadora séria, não teria se vendido às multinacionais [...] Ela representa um tipo de venda de soberania."

Por não mais temer o confronto com as autoridades responsáveis do país, lentos demais, quase sempre, em defesa da propriedade pública e privada- e sem qualquer preocupação com sua imagem, que a cada dia fica mais desgastada, conforme detalhado em pesquisas recentes do Ibope - é que os sem-terra continuam com suas ações irresponsávei.
Vejam os jornais, os noticiários da televisão e das estações de rádio; depois digam se estou certo ou não.