Não estão sendo perdoados nas praias os vendedores de refrigerantes, água de côco, biscoitos, cangas e bonés; proíbe-se a venda de cerveja nos estádios de futebol e ruas próximas; não se dá trégua aos camelôs do centro da cidade, aos motoristas que estacionam seus carros em locais não permitidos e aos favelados que ocupam construções de alvenaria em suas comunidades; a gente que mostra suas habilidades com os malabares ao lado e embaixo dos semáforos da Lagoa Rodrigo de Freitas é posta a correr; a população de rua que ocupa espaços no Aterro e nas principais vias da Zona Sul e do Centro é forçada a retornar para as casas de parentes ou a suas cidades de origem; as almas caridosas acostumadas a dar suas esmolinhas aos ceguinhos à porta das igrejas perdem seus ingressos para o Céu por falta de clientela; desaparecem das ruas cachorros e gatos vadios e outras espécies menos votadas da fauna nacional.
Está por terminar o deus-nos-acuda que tomou conta da cidade.
É, ao menos, o que eles dizem.
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Alguma coisa, porém, me deixa inquieto e aborrecido: serão meros desvios de percurso a má administração e os diferentes delitos que se vê cometer em toda a cidade desde o início de janeiro até hoje [29/01]?
Ouço, neste instante, no rádio, a entrevista de uma moradora de Mangueira que afirma estar sem pão até agora [são quase quatro horas da tarde] porque os traficantes mandaram fechar as padarias da região .
Quem sabe tenham optado por um choque de ordem na área para colaborar com as autoridades?

