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Foi numa sexta-feira que caiu a grande tempestade.
A casa simples em que morava, pouco afastada da cidade, rapidamente foi cercada pelas águas da chuva. Foi fácil para José entender que, em pouco tempo, elas chegariam a um nível tal que já não lhe seria possível sair de casa para pedir socorro. Toda a região em torno estava inundada.
Pouco tempo passou e, para não ser levado pela correnteza que ficava mais forte a cada momento, José subiu para o telhado. Foi quando seu vizinho mais próximo passou em uma canoa e se prontificou a levá-lo para lugar seguro.
– Muito obrigado, amigo. Minha fé em Deus é absoluta; não paro de rezar por um só momento e estou certo de que Ele olhará por mim.
Entendendo nada poder fazer por José, o vizinho afastou-se e foi socorrer os moradores da casa mais próxima que estavam vivendo momento tão grave quanto o do beato.
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Não custou muito e outro vizinho numa canoa ainda maior que a primeira ofereceu-lhe ajuda. As águas já atingiam o pescoço de José. Respondeu da mesma forma ao possível salvador:
– Muito obrigado, amigo. Minha fé em Deus é absoluta; não paro de rezar por um só momento e estou certo de que Ele olhará por mim.
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Mal podendo respirar pela boca e pelo nariz viu surgir dos céus um helicóptero que sobrevoava a região. Um homem, da aeronave, lhe estendeu uma escada de cordas que chegou às suas mãos.
– Segure a escada firmemente, senhor – gritavam os homens da equipe de salvamento do helicóptero. – Nós vamos levá-lo para um lugar seguro.
José, mal podendo responder, antes de mandar o helicóptero embora, ainda teve forças para dizer ao que, do alto, orientava seu salvamento:
– Muito obrigado, amigo. Minha fé em Deus é absoluta; não paro de rezar por um só momento e estou certo de que Ele olhará por mim.
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Difícil dizer por quanto tempo durou a chuva e as águas continuaram a subir.
José, O Beato, acabou morrendo afogado e foi ao encontro do Senhor.
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Perplexo com a opção divina de conduzi-lo para o Céu, na primeira oportunidade que lhe foi dada, assim se dirigiu José ao Todo-Poderoso:
– Sempre tive tanta fé em Vós, Senhor. Orei e acreditei em Vós, sem cessar, de todo meu coração e sempre cumpri a Vossa vontade. Não dá, Senhor - com a devida vênia -, para entender o que aconteceu.
Ar grave, respondeu-lhe o Todo-Poderoso:
– Também eu não entendo. Mandei-lhe duas canoas e mais um helicóptero para salvá-lo e você dispensou, José!
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Sem ação, amigo, fé é como carro sem gasolina!
Não adianta, apenas - meu povo -, espernear.

