Valerá a pena, garanto, ao menos para os jovens universitários que me deram o prazer de sua atenção.
X X X
"... O General Mourão e os demais Generais que acompanharam sua decisão em 1964, apesar de que tenham agido em defesa de uma Ordem que reputavam estar ameaçada pelo Presidente da República, são condenados pelos que agora condenam o Exército hondurenho. Em 1955, o Ministro da Guerra comandou a destituição de dois Presidentes da República e teve o apoio do Congresso, que violentou a Constituição duas vezes. Depois, o Supremo Tribunal Federal coonestou os golpes de Estado. Deveriam o General Lott e o Governo Nereu Ramos ser condenados? Não o foram, porque a “novembrada” (11 e 21 de novembro de 1955) foi aclamada como “retorno aos quadros constitucionais vigentes” e defesa da decisão das urnas, que elegera JK. O General Lott agiu em defesa de uma Ordem que, a seu ver e dos que o acompanharam e com ele tramaram, estava ameaçada pelo Presidente da República. O mesmo fez Mourão.
As medidas repressivas adotadas em 1955 e 1964 não foram tão diferentes assim. Pelo contrário: o decreto que estabeleceu o Estado de Sítio em 1955 continha providências que só vieram a ser adotadas em 1968 com o Ato Institucional nº 5. Apesar disso, da censura que se estabeleceu à Imprensa em 1955 − um Major sentava-se à mesa dos editores-chefe do “Estado de S. Paulo”, recordo-me disso muito bem −, da caça indiscriminada aos mais ardorosos defensores da anulação da eleição de JK, tudo foi aprovado em aras da democracia. A sorte do Brasil, naquela época, foi que o General Lott, o Senador Nereu Ramos, o General Denys e JK não tinham a intenção de destruir a Ordem, porque, como dizia o lema da “novembrada”, pretendiam manter os quadros da dominação vigente.
Hoje, como se prestigia a forma democrática e não a Ordem consagrada de um Estado, qualquer um poderá assumir o poder e fazer a “sua” revolução. Um Hitler tupiniquim a poderá fazer. Castro a fez, e muitos são os que bateram e ainda batem palmas para ele. O que significa que, pela resolução que condena golpes de Estado, os que pretendam destruir a Ordem e fazer a Revolução poderão estar tranqüilos, desde que disputem eleições e as ganhem. A América não os condenará, pois o importante é defender as formas.
Não faço aqui a apologia dos militares de Honduras. Apenas convoco meus eventuais leitores para refletir sobre Democracia Formal, Ordem e Revolução."
X X X
Acabo de ouvir, em noticiário de emissora de rádio do Rio de Janeiro, que o senhor Mel, acompanhado por cerca de 50 viaturas e dezenas de correligionários, acaba de adentrar o território hondurenho.
Qual a ação a se esperar da OEA - e outros organismos - se confirmadas as medidas que o Governo Provisório tem anunciado caso se efetive a entrada do ex-presidente de Honduras?
Esperemos para ver até onde se deslocará esta "Armata Brancaleone"...

