domingo, julho 26, 2009

PEQUENA HISTÓRIA QUE MINHA AVÓ CONTAVA

O Cavalo, o Caçador e o Veado


Desentenderam-se, como nunca antes havia acontecido, o Cavalo e o Veado.
Certo de que sozinho jamais poderia vencer o opositor o Cavalo procurou a ajuda do Caçador - seu antigo inimigo - que concordou em prestar-lhe auxílio.

“Mas vou logo avisando", disse o Caçador: "Pra derrotar mesmo o Veado você vai ter de me deixar colocar este pedaço de ferro entre suas mandíbulas, de maneira que me torne possível guiá-lo com essas rédeas. Preciso, também, que você me permita assentar esta sela nas suas costas de forma que eu possa ficar bem seguro em cima de você. Tais providências, esteja certo, amigo, nos garantirão partir firmes contra o inimigo e vencê-lo."

X X X

Na hora do confronto não deu outra: o Caçador conduziu o Cavalo para uma vitória acachapante sobre o Veado; não deu nem pra reagir...

X X X

Terminada a breve contenda, dirigiu-se o agradecido Cavalo ao Caçador e pediu-lhe que descesse de seu lombo e lhe removesse o freio e a sela que o incomodavam.
"Por quê tão cedo, amigo? Lembre-se que, agora, você está submetido a minhas esporas e sob o meu comando. Ou está o meu amigo Cavalo arrependido de nosso acordo?"

Moral da história:
"Se permitires que o homem use seu poder para teu benefício - cuidado! - mais cedo ou mais tarde ele poderá usá-lo contra ti."


A propósito:
Viverá o presidente do Senado, hoje, situação idêntica à do Cavalo da história que Vó Aurora contava? Até quando? Enquanto o senhor Lula mantiver o ferro entre as mandíbulas do senhor Sarney? Por todo o tempo em que o senhor Lula mantiver a sela nas costas do senhor rei do Maranhão?

Ou será, apenas, pelo tempo em que estiver soando na memória deste triste povo brasileiro a infeliz frase do eloquente senhor Lula lembrando que o senhor Sarney “tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”?