O amigo doutor lhe perguntou, um dia: "Você não quer ser pescador?"
O homem barbudo respondeu que sim e nem se preocupou em saber as razões que poderiam levá-lo a ser melhor pescador que flautista.
E, a partir daquele dia, passou a ser flautista e pescador.
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Belo dia foi o flautista pescador conhecer terra vizinha por onde nunca passara.
Tão logo chegou decidiu ir pescar no único rio que por lá existia pois ouvira dizer que os peixes daquela terra ficavam encantados quando ouviam o som de uma flauta bem tocada, o que os fazia pular para fora da água sem parar - o que facilitava sua captura - enquanto ouvissem tocar o instrumento.
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Pois levou nosso homem barbudo tocando sua flauta por mais de uma hora e nenhum peixe apareceu. Foi quando decidiu usar sua rede de pescador para ver se obtinha melhor resultado.
Seguiu para um ponto mais adiante daquele onde tocara, em vão, seu instrumento e lançou a rede. Não levou mais que dois minutos e viu-a encher-se de peixes que, a cada fração de segundo, pulavam para dentro dela.
Tirou a flauta da bolsa em que carregava seus apetrechos de pesca e voltou a tocar. Continuaram os peixes, para sua alegria, a pular sem parar para dentro da rede.
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Alegre, o homem barbudo dizia e repetia, convicto:
"Eu sou um grande flautista... Eu sou um grande flautista... Eu sou um grande flautista..."
Os peixes fingiam todos que concordavam.
Moral da história:
Quando um homem o tem sob seu jugo é mais inteligente fazê-lo acreditar que ele é o que pensa ser. Prepare-se, enquanto isso, para se livrar de seu domínio.

